sábado, 21 de maio de 2011

Perder o amor...


Perder o nosso amor num só segundo, é também perder a nossa vida nesse instante!
 É como se a força que nos impele a caminhar em segundos se esfumasse, e o mundo inteiro cheio de medos e receios nos caísse em cima de repente. Tudo nos fica distante, e a força que nos impede a ir em frente e a caminhar sem nunca desistir de nada, nesse momento desaparece, como se fosse água num deserto!
A nossa força, a nossa âncora, o pilar que nos apoia e onde encontramos energia para vencer os obstáculos difíceis do dia-a-dia, o nosso oásis, o nosso refúgio, o nosso conforto, o nosso aconchego nas boas e nas más horas, aquele abraço forte que nos acolhe sempre, mesmo que em silêncio e já cansado, e nos murmura quase sem sussurro… “deixa-te estar... chega-te a mim….,descansa..., tudo vai ficar bem…., estamos aqui…., vamos conseguir.…, somos fortes…, tu e eu somos valentes…,gosto de ti assim….,e  tu de mim….,tu és poderosa…., vou estar sempre aqui contigo...!”
E mesmo sem palavras, pois para que servem as palavras, se o amor é cego e mudo e surdo? Se os olhares já dizem tanto, quase tudo, e o toque do corpo, o sentir e roçar da pele dizem o resto....?
Quantas horas de amor, quantas palavras, quantas caricias, quantos segredos trocados numa vida, tudo o que fizeram já passou e agora só resta a lembrança do nunca mais tocar, nunca mais sentir, nunca mais nada...!
Esse abraço forte terno e carinhoso, fica guardado secretamente no nosso coração, capaz de abraçar eternamente o nosso amor infinitamente sentido, aconchega-nos para sempre todas as mágoas e alegrias, todos os dias mal passadas e noites mal dormidas, todas as dores sofridas, que sentindo assim é mais fácil sobreviver a tanta dor, ao tamanho dessa mágoa, a essa perda cruel e definitiva !
De resto tudo se esfuma no ar ficando, sem rumo, e por instantes  tudo perde a graça e o jeito e parece que  nunca mais, nada  terá forma ou interesse nesta vida...!
Perder o nosso amor num segundo e viver depois sem ele, é como andar á deriva no mar alto, em tempo de maré-cheia, sem ter canoa nem remos, sem ter barco nem veleiro, sem saber bem onde se está, perdido no oceano infundo,  sozinho entre o céu e  o mar, sem  encontrar uma ajuda, sem avistar  uma ilha qualquer perdida no mapa,  um tronco pequeno que seja,  algo onde se  possa agarrar, uma  orientação,  um barqueiro que nos  ajude a  navegar, acostar, e mais tarde  talvez  descansar…
Na nossa existência no mundo, perder o nosso amor, mas o nosso amor verdadeiro, o nosso companheiro, significa ter que voltar a nascer, reaprender a viver...!
É como perder um braço, uma perna, pior ainda, deixar de mexer o corpo, e ter que reaprender a andar, ou viver sem braços sem pernas ...!É  preciso resistir, reaprender tudo de novo, reconstruir uma nova vida…! É necessário sobreviver de alguma forma! É necessário renascer novamente! Não podemos vegetar...! Isso seria dar-nos por vencidas!